O Ultimo Show
A foto que voce vê aí foi tirada em Presidente Epitácio, em 23 de janeiro de2009, dia em que, pela primeira vez, pisei num palco de teatro. A cidade fica na divisa de São Paulo com o Mato Grosso do Sul, com pouco mais de 40.000 habitantes. Escolhi a pequena cidade pois se o show fosse horroroso pouca gente ficaria sabendo. Quando falei para minha família que faria meu primeiro espetáculo lá, todo mundo me perguntava: Presidente Epitáfio?
Poderia ter sido Epitáfio sim. Se aquele dia fosse um fracasso, talvez eu nunca mais tivesse coragem de tentar fazer aquilo de novo. Duas sessões foram marcadas - eu que havia feito apenas um teste preliminar pros meus amigos mais íntimos - já tinha uma sessão extra na sequência. Na verdade,o que eu tinha pronto era um pocket show e olhe lá.
Fiz a primeira sessão em meros 35 minutos e a galera num misto de diversão e indignação aplaudiu ressabiada. Fiquei imaginando o publico saindo e se perguntando: Já acabou?? Pois é, já.
O bacana é que na sessão seguinte fiz 45 minutos. Improvisei, dei risada com o publico, estava mais relaxado e já consegui pensar que aquela segunda plateia poderia ter curtido o show. Dali pra frente foram 4 anos viajando pelo Brasil, descobrindo cidades que eu não conhecia, mais de 200 shows e millhares pessoas que escolheram passar pouco mais de uma hora junto comigo.
Histórias não faltam. Fazer um show para 2000 pessoas em Goiânia, e ao mesmo tempo um para 130 ( num teatro para 1300 ) em Porto Alegre. E aprender a realizar o espetáculo com a mesma empolgação para ambos os publicos. Fiz show no Canecão, lotado, uma casa de show histórica e que o senhor que ficava na coxia profetizou e disse: a casa só fica lotada em dia de Chico Anysio e Tom Cavalcante. Ainda tive uma linda temporada no Bibi Ferreira em SP, outro clássico dos teatros.
Tantos presentes que ganhei dos fãs. Esculturas feitas pelas pessoas , esculturas com a minha cara, com as roupas que eu uso! Os ursinhos de pelúcia ultra-perfumados. A cartinhas que sempre li, todas. A emoção das pessoas, de crianças à senhoras. Os choros, os abraços com braços trêmulos, as risadas histéricas, os pedidos de autógrafo.
Lembro de algumas pessoas em especial. O menino gordinho e cego com o gorrinho do Corinthians em Bragança Paulista. O garoto Felype que foi ao show sozinho e depois, de dentro da van, eu o vi caminhando no escuro, na beira da estrada, voltando pra casa. A Camila, que também é cega - amiga da Cláudia, que era uma das 137 pessoas no meu primeiro show em Porto Alegre e que adorou o espetáculo mesmo sem ver as projeções no telão. Teve até um pedido de casamento no meio do show, com um glorioso SIM da noiva e uma festa do casal e de toda a plateia.
Acho que daria um livro …
Sem falar no micos. Uma vez em Belo Horizonte, um rapaz usava uma daquelas máscaras hospitalares, eu brinquei dizendo que ele estava com gripe suína, e ele respondeu: Leucemia. Isso no começo do show…
Em Bragança, uma menina, a ultima da fila, veio tirar foto após o show e eu de sobressalto e indignado mandei: Voce tá grávida e ficou na fila?!?! E ela: Eu não tô grávida…
Só tenho boas lembranças dos palcos. E a última apresentação do “Que História é essa?”, neste sábado em Porto Alegre ( não a de 137 pagantes, mas uma sessão lotada com mais de 500 pessoas ), foi tão fantástica quanto a primeira em Presidente Epitácio. Tive que terminar o show correndo para não chorar.
Espero voltar aos palcos em breve, com novas histórias pra contar. E tantas outras emoções pra viver perto do público, o que é o grande barato do teatro.
Obrigado, a todos vocês,
Felipe